Um recomeço consciente


Três anos de um recomeço consciente.

Hoje faz três anos que tomei uma das decisões mais difíceis da minha vida: separar-me.
Não foi um gesto impulsivo, nem uma fuga. Foi um ato de lucidez num momento em que permanecer significaria abandonar-me a mim mesma. 
Às vezes, a coragem não grita. Ela sussurra, mas insiste, até já não ser possível ignorá-la.
Separar-me foi aceitar o luto de um projeto que não se cumpriu, mas também foi abrir espaço para uma reconstrução mais honesta. Aprendi que recomeçar não é apagar o passado, é integrá-lo com respeito, sem permitir que ele continue a governar o presente.

Nestes três anos, aprendi a escutar-me com mais verdade, a respeitar os meus limites, a escolher melhor as batalhas que valem a minha energia. Aprendi que a paz não nasce da ausência de conflitos, mas da coerência entre aquilo que sinto, penso e faço.

Cresci na gestão das emoções, na forma como me relaciono com o trabalho, com as pessoas e comigo própria. Percebi que independência não é isolamento, é responsabilidade afetiva, é saber pedir ajuda sem perder a autonomia.

Hoje vivo com menos expectativas artificiais e mais presença real. Valorizo o simples, o essencial, o silêncio que organiza, as relações que respiram, os projetos que fazem sentido. 
Não corro atrás de validações externas. Caminho com alinhamento interno.
Não romantizo a dor que existiu. Ela ensinou, mas não me define. O que me define é a escolha diária de viver com integridade, respeito, clareza e liberdade interior.

Este não é um texto sobre separação. É um texto sobre maturidade emocional, sobre aprender a ficar inteira depois de ter ficado em pedaços.
E isso, para mim, é vitória. Uma enorme vitória. 

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