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Perdoar no meu tempo

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Aprendi que perdoar não é um gesto imediato. Não é uma frase bonita para aliviar a consciência, nem um botão que se carrega para apagar o que doeu. Perdoar é um processo. E, como todos os processos honestos, exige tempo, silêncio e coragem. Quando algo me magoa, eu preciso primeiro de compreender o que senti. Preciso de atravessar a confusão, a desilusão, a raiva que às vezes aparece disfarçada de força. Preciso de escutar o corpo, as emoções, as perguntas que ficam a ecoar. Só depois vem a cura. Só depois consigo olhar para o que aconteceu sem o peso da ferida aberta. O perdão não nasce da pressa. Nasce quando a ferida já não governa as decisões. Quando a memória deixa de doer ao ser tocada. Quando a paz interna volta a ocupar o centro. Mas há uma verdade que não ignoro: mesmo quando se perdoa, nem tudo volta a ser como antes. O perdão liberta, mas não apaga. Não reescreve a história. Não devolve automaticamente a confiança, nem reconstrói, por magia, o lugar que alguém oc...