Quando o amor acaba, o respeito não tem de morrer
Há dias em que uma pessoa acorda com um travo estranho na alma. Não é propriamente tristeza. Não é raiva. Não é saudade no sentido romântico da palavra. É outra coisa. Uma espécie de amargura mansa, daquelas que não fazem barulho, mas que se instalam. Hoje acordei assim. Talvez porque, mais uma vez, me vi confrontada com uma ideia que as pessoas teimam em não largar. A ideia de que, se existe cuidado, então tem de existir amor. A ideia de que, se existe preocupação, então tem de existir uma relação. A ideia de que, se duas pessoas partilharam uma vida, então ficam para sempre presas ao papel que um dia tiveram uma na vida da outra. Ainda ontem, à porta do hospital, encontrámos pessoas conhecidas que me perguntaram pelo “meu marido”. Na rua perguntam-me pelo “meu marido”. Na loja perguntam-me pelo “meu marido”. E a verdade é esta: ele não é o meu marido. Já não é. Foi. Durante muitos anos, foi. Partilhámos uma vida. Partilhámos uma história. Partilhámos filhos, lutas, conqui...