O brilho que não ilumina
Ao longo da vida, cruzei-me com muita gente. Gente bonita, quase irrepreensível aos olhos de quem passa. Gente envolta em estatuto, títulos, dinheiro, influência e conquistas cuidadosamente exibidas. Gente que entra numa sala e imediatamente reclama para si todos os olhares, como se o brilho exterior fosse prova bastante daquilo que transporta na alma. Durante algum tempo, talvez também eu tenha confundido aparência com substância. Talvez tenha acreditado que aquilo que reluz por fora haveria de esconder, inevitavelmente, alguma riqueza interior. Mas a vida, que tem o hábito de desfazer ilusões sem pedir licença, ensinou-me o contrário. A beleza não garante bondade. O estatuto não concede grandeza. O dinheiro não compra caráter. E tudo aquilo que alguém ostenta pode não ser mais do que uma cortina cuidadosamente fechada sobre um interior vazio. Já conheci pessoas lindíssimas incapazes de um gesto verdadeiramente bonito. Pessoas rodeadas de luxo, mas profund...