Coragem de pedir e de sustentar

Há momentos na vida em que não pedimos mudanças… pedimos uma limpeza.

Não é um pedido leve. É um pedido com intenção, com verdade, quase como quem arruma não só a casa, mas também tudo o que se foi acumulando por dentro. Foi isso que fiz em agosto de 2024. Pedi, com consciência e vontade, que a minha vida fosse limpa do que já não fazia sentido.

E a resposta veio!

Não veio suave. Veio com rebuliço. Com vento e poeira...

Um rebuliço intenso, carregado de desafios, problemas, decisões difíceis. Coisas a acontecer ao mesmo tempo, estruturas a abanar, pessoas a afastarem-se, dinâmicas a mudarem. Durante algum tempo, pareceu mais desorganização do que solução.

Mas a todo o instante, vejo com clareza: fazia e faz parte!

Porque no meio desse turbilhão, havia também algo mais... a possibilidade de compor, de reorganizar, de resolver aquilo que podia, e devia, ser resolvido.

Nem tudo fica. Nem tudo se resolve.
Mas há muito que pode ser alinhado, corrigido, reconstruído.

E isso exige mais do que fé.

Exige esforço.
Determinação.
Ajuda, sim ajuda, porque ninguém faz tudo sozinho.
E cuidado, cuidado, para que não se limpe apenas à superfície, mas em profundidade.

Acreditar no poder dos pensamentos não é ficar à espera que a vida aconteça. É alinhar o que sentimos com aquilo que estamos dispostos a viver. É ter coragem de pedir… e responsabilidade para sustentar o que vem a seguir.

Hoje sei que não foi apenas o universo que fez esta limpeza.
Fui eu que a permiti. Fui eu que não resisti. Fui eu que atravessei o desconforto em vez de fugir dele.

E, no meio de tudo isto, algo começou a surgir: clareza.

Clareza sobre o que quero.
Sobre o que já não aceito.
Sobre o espaço que quero manter limpo daqui para a frente.

Porque a mudança não começa quando algo novo chega.
Começa quando deixamos de segurar o que já devia ter ido.

Hoje sinto-me numa fase mais leve. Não porque tudo esteja resolvido. Longe disso. Mas porque sei que estou a resolver o que importa, com intenção, com verdade e com consciência, uma coisa por vez.

E se há algo que levo comigo deste processo é isto:
não tenhas medo de pedir uma limpeza à tua vida.

Mas prepara-te... porque quando ela vier, não traz silêncio.
Traz movimento. Traz rebuliço. Traz verdade.

E, no meio disso tudo…
traz-te de volta a ti.
E eu sou muito grata, por estar todos os dias a reencontrar o meu eu.

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