Entre o rebaixar e o endeuzar



Aprendi, com o tempo, a valorizar a opinião de quem vê. De quem observa antes de falar, de quem analisa antes de concluir, de quem se compromete com aquilo que diz. A opinião que realmente importa não nasce do impulso, nem da vontade de palco. Nasce da atenção, da escuta, da responsabilidade.
Nem toda a crítica fere. Há críticas que afinam, que despertam, que obrigam a crescer. Doem, sim, mas têm raiz na verdade e no cuidado. Já o rebaixamento é outra coisa. Não constrói, não esclarece, não acrescenta. É apenas a projeção de frustrações que não encontraram ainda lugar para serem curadas.
Do mesmo modo, nem todo o elogio eleva. Há elogios que reconhecem o caminho, o esforço, a humanidade imperfeita que somos. E há o endeuzar. O endeuzar desumaniza, cria alturas artificiais, transforma pessoas em símbolos vazios, em imagens que não respiram. Parece bonito, mas afasta da realidade e da verdade.
Entre o rebaixar e o endeuzar, não há equilíbrio. Há excesso. Há ruído. Há carência.
Tenho aprendido a escutar com mais atenção quem olha para a complexidade da vida sem simplificações fáceis. Quem sabe discordar com respeito. Quem sabe elogiar com medida. Quem não tem medo de dizer o que pensa, mas também não usa a palavra como arma. Essas vozes ajudam-me a crescer, a rever escolhas, a manter os pés bem assentes na terra e o olhar aberto para o que ainda posso aprender.
Quem surge apenas para rebaixar ou para endeuzar não me acrescenta. Não porque não mereça respeito enquanto pessoa, mas porque não traz compromisso com a verdade, nem com o caminho, nem com a construção. Fala mais de si do que daquilo que observa.

Hoje escolho cuidar do que deixo entrar no meu campo interior. Escolho dar valor à palavra que nasce do pensamento, da honestidade e da responsabilidade. O resto passa. Como vento que agita as folhas, mas não altera a direção da árvore.
E isso, para mim, é liberdade.

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