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Carta à menina que (sempre) fui...

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Querida Carla, Hoje escrevo-te do futuro. Tenho 48 anos e trago comigo todas as versões de nós que existiram pelo caminho. Mas sabes uma coisa? A minha preferida continua a ser tu. A menina que corria sem medo, que inventava brincadeiras quando não tinha companhia, que transformava o pouco em muito e que encontrava aventuras onde os outros viam apenas um dia igual ao anterior. Sempre foste traquina. Sempre gostaste de desafiar os teus próprios limites. Nunca esperaste que alguém te dissesse "podes". Experimentavas primeiro e descobrias depois.  Tinhas uma criatividade que transformava a solidão em brincadeira e uma imaginação capaz de construir mundos inteiros. Sei que a infância nem sempre foi leve.  Houve momentos em que precisaste de crescer antes do tempo.  Houve palavras que ficaram por dizer, abraços que fizeram falta e dias em que te sentiste mais sozinha do que uma criança deveria sentir. Mas sabes o que mais me impressiona quando olho para trás? Nada ...