Voltar a querer viajar
A viagem de comboio entre Flåm e Myrdal, marcou-me para sempre. Paisagens de cortar a respiração, silêncio imenso e uma beleza quase irreal, num país verdadeiramente extraordinário. Desde que me divorciei, nunca mais tive vontade de planear uma viagem. Nunca mais saí do país e as poucas escapadinhas que fui fazendo nasceram quase sempre do improviso, mais por necessidade de pausa do que por desejo de antecipação. Com o passar do tempo, os miúdos cresceram, ganharam autonomia e deixaram naturalmente de acompanhar. E eu comeceço a perceber que me falta algo que sempre me fez bem: o acto de programar uma viagem. Escolher um destino, imaginar paisagens, pensar percursos, antecipar sensações. Há qualquer coisa de profundamente reparador nesse processo. É como se viajássemos duas vezes. A primeira quando planeamos, sonhamos e visualizamos. A segunda quando, finalmente, concretizamos. Talvez por isso planear uma viagem se pareça tanto com reconstruir a vida depois de um divór...